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Foto: Ricardo Tavares ESCURIDÃO DO ESCORPIÃO®: ano 02
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Calada eu fico no meu cantinho escuro e olhando pelo buraco da fechadura, da porta bem trancada por dentro, vejo o mundo tão distante de mim. Não reconheço mais os seres que transitam lá fora. Não me vejo mais entre eles. Nada do que paira sobre mim, define o que flutua na minha mente, muito menos no meu coração. Falo muito e calo demais. Explico, mas sinto doer o que não se explica. Aquele azul do céu se confunde com o azul do mar e eu já não sei o que há entre eles... nada é azul, nem rosa...sufoco, engasgo, afogo. Leio o que não dizem e não me encontro no vocabulário da comunicação...estou só. O escuro lá de fora é mais breu que o da minha escuridão de alma. Tenho medo...ouço vozes...não consigo me agarrar a nada. E pra que gritar, se ninguém tem ouvidos pra me ouvir???
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Um pesado e escuro vazio
sempre chegando e nunca indo embora.
Parece se perder em mim,
mas encontra minha alma.
Não sei o que me falta...
não sei o que espero.
Das coisas que sinto,
canso.
Das que espero,
desiludo.
Das que acredito,
decepciono.
Meu coração é um sempre-doer
e meus lábios um eterno-calar.
:: Postado por
Claire
às
00h22

Gonçalo Borges Dias
Um algo de “me deixe em mim”
grita calado no meu coração:
sou uma estranha, no meio de estranhos.
Condenada a essa prisão
dentro do meu próprio mundo,
ninguém entra e eu nunca saio.
Confinada a essa solidão sem solução,
nada do que me cerca
compartilha o que sou...
nada me completa por inteiro.
Então eu corro pra dentro de mim
e te busco,
meu pedaço de alma-vida.
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